O que é ser um Político e como se tornar um

Nos últimos anos o cenário político brasileiro tem sido abalado por escândalos de corrupção e movimentações estratégicas entre aliados e oposicionistas que, além de estremecerem as estruturas, deixam um ponto de interrogação na cabeça de todos.

Para que, afinal, serve um Político? Para defender os interesses da população como um todo, ou os próprios e do partido? Na teoria, é fácil responder essa pergunta, mas na prática, a banda toca de um jeito um pouco menos afinado.

Pelo sentido estrito do termo, um Político é um sujeito bem relacionado, que sabe dialogar para encontrar soluções pelo bem comum, que se encaixem nos diferenciados contextos de cada cidadão de forma justa, na medida do possível.

A palavra, em si, “política”, significa no dicionário a arte e a ciência de governar, dirigir, administrar nações ou Estados. Também é definida como a vocação para guiar e influenciar um modo de governo e até como astúcia e cortesia.

Assim sendo, fazer política e ser um Político é, acima de tudo, uma soma de habilidades intrapessoais, exercitadas a serviço da boa convivência entre as pessoas em uma sociedade. A capacidade de criar empatia, por exemplo, é básico.

Mas como se tornar um Político?

Para se tornar um Político é importante ter um certo carisma e facilidade para se comunicar, afinal, seu trabalho depende diretamente de convencer as pessoas de que uma situação é melhor do que outra por um determinado motivo.

Este motivo, aliás, pode ser relacionado ao benefício de algo ou alguém, que apenas o Político conhece e que pode lhe conferir alguma vantagem em algum momento. Por isso o termo “astúcia” descreve – e bem – o que é a política.

Qualquer um, portanto, pode ser um Político. Não é necessária uma formação acadêmica, nem cursos técnicos ou profissionalizantes para ser um Político.

Sequer é necessário terminar o Ensino Médio para tal, já que o humorista Tirica, eleito deputado estadual duas vezes pelo estado de São Paulo, é considerado semi-analfabeto.

Por outro lado, é preciso ser muito flexível e ter uma tolerância acima do normal com processos mais lentos e burocráticos.

O mesmo Tiririca, em entrevista para um jornal estrangeiro, chegou a declarar, durante seu primeiro mandato, que estava pensando em abandonar a política, por considerar que no exercício do seu cargo discute-se muito e faz-se pouco.

Luis Inácio Lula da Silva foi presidente do Brasil em dois mandatos consecutivos e iniciou sua trajetória no sindicalismo: não há preconceito na política (Foto: Divulgação)

Luis Inácio Lula da Silva foi presidente do Brasil em dois mandatos consecutivos e iniciou sua trajetória no sindicalismo: não há preconceito na política (Foto: Divulgação)

Em qualquer esfera política é assim?

Sim e não. De fato, sendo a política a arte de governar e dirigir, segundo o dicionário, o diálogo constante, frequentemente longo e inconclusivo em boa parte das vezes é a tônica do dia a dia de um político.

Porém, as decisões tomadas por eles é que definem todos os aspectos de nossas vidas: desde o quanto pagamos por um sorvete, por exemplo, até que carreira vamos seguir.

Ser um funcionário público nos governos do PT, que começaram em 2003, passou a ser algo almejado por muitos, já que o partido de Lula e Dilma Rousseff aposta na força da máquina pública para governar e incentiva esse tipo de trabalho, abrindo concursos.

Tais medidas, portanto, só acontecem com o aval dos Políticos e, deste ponto de vista, eles trabalham muito. O que varia, na verdade, é o poder de cada um deles.

Hierarquia política

Quando Tiririca reclamou que mais se discute do que se trabalha, ele não estava falando besteira. Entretanto, não levou em consideração que o cargo que ocupa, de deputado estadual, tem menos poder decisório do que outros.

Por isso o diálogo na câmara em que ele dá expediente se estende tanto, pois ele precisa, além de convencer seus públicos de interesse de uma ideia que tenha em mente, fazer o mesmo com o deputado federal, que está acima dele e tem também seus relacionamentos e interesses, e costura seus acordos políticos.

Este, por sua vez, tem menos peso na estrutura política do que um senador, que tem menos do que o presidente. Isso, aliás, em se tratando apenas da esfera federal.

Os governadores, em seus estados, têm o poder decisório máximo – apesar de se reportarem ao presidente – e também consultam os deputados estaduais e prefeitos municipais em suas decisões (e estes aos vereadores).

Há também os secretários e assessores, que ocupam funções mais operacionais na política. Em outras palavras, são as pessoas que executam, botam a mão na massa para que as ideias e políticas dos Políticos sejam materializadas. Entretanto, estes são nomeados pelos governantes, e não eleitos pela população.

Com tudo isto posto, é perceptível os motivos pelos quais tudo é tão mais lento na política e porque a conversa parece sempre improdutiva, de tão demorada. A estrutura por trás é robusta e envolta em uma série de interesses.

Como ser eleito

Chegar lá e fazer parte deste universo retratado não é tarefa das mais simples. Mesmo sendo alguém extrovertido e popular, com um bom discurso e poder de convencimento, não necessariamente se estará plenamente apto a ser um Político.

A falta de ética nas relações permeia também o cotidiano de um Político e, dependendo da personalidade de cada um, este pode ser um motivo para não querer fazer parte do cenário.

Também não é farta a oferta de posturas que preservam a moral e os bons costumes, então, definitivamente, para ser um Político é fundamental se livrar (ou esquecer momentaneamente) qualquer crença do que se considera certo ou errado.

E dizemos isto não porque na Política vale tudo: mas porque é importante ter em mente que para sobreviver nela será necessário se adaptar a todo o tipo de gente. Apesar de, infelizmente, alguns encararem a política como um vale-tudo.

Encontrar um partido para se filiar e conseguir um número para ser votado, portanto, é o primeiro passo para ser eleito. Fazer muita campanha, gravando comerciais de TV e rádio (até Internet) e se colocar à disposição das pessoas para interagir e explicar suas propostas, é o segundo.

Saber se defender de intrigas de seus adversários na eleição e desqualificá-los quando for conveniente (seja pessoalmente ou por meio do partido), é outro passo. Por fim, se comunicar via imprensa (que tem muito poder) é mais um passo importante.

Dúvidas? Pergunte!

Uma vez eleito e devidamente introduzido no mundo da política, não há mais volta. Realmente será exigido um alto grau de esperteza que, se desenvolvida, coloca o Político em um ambiente no qual ele percebe que cada pequena atitude significa o destino de uns e outros.

De qualquer maneira, saber fazer política é um dom que poucos têm e pode ser prazeroso, dependendo do modo de encarar pontos que caminham na linha tênue entre o bem e o mal.

Caso tenha ficado alguma dúvida ou esteja sentindo falta de algum aspecto que considera essencial e gostaria que explorássemos mais, deixe um comentário no fim da página!

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