EAD dá certificado? É confiável? Mitos e verdades sobre os cursos online

Sempre que se fala em EAD (sigla para Ensino à Distância), muita gente torce o nariz. A principal preocupação das pessoas é com a confiabilidade do método, que não exige a presença física dos alunos na sala de aula (que, inclusive, é virtual), e permite que o mesmo siga seu próprio cronograma de estudos, nos horários que lhe forem mais convenientes.

Essa percepção, porém, pode estar com os dias contados, dada a quantidade de iniciativas neste sentido, que nunca esteve tão grande. Uma rápida busca na internet, por exemplo, já traz ao menos três páginas cheias de sites que fornecem o serviço, desde cursos livres, até pós-graduações.

A ABED, Associação Brasileira de Educação à Distância, publicou em seu último Censo sobre o universo do EAD no Brasil que há, atualmente, ao menos 1.772 cursos regulamentados totalmente à distância, que geraram mais de 690 mil matrículas, sendo 64,7% delas em cursos de graduação, o que mostra quanto o brasileiro tem olhado com carinho para essa possibilidade de progredir profissionalmente.

No entanto, como acontece com qualquer coisa que ainda esteja lutando para ter respaldo, o EAD levanta as suas suspeitas. A obtenção de certificado aos fins dos cursos é uma das mais latentes, já que o aluno tende a pensar que só valerá a pena o esforço de fazer o curso à distância se tiver direito a um documento comprobatório no final. Isso é um reflexo da cultura do diploma, presente em nossa sociedade desde muito tempo.

Para tirar essa dúvida da cabeça de quem pensa em começar uma nova etapa na vida profissional pelo EAD e entender um pouco melhor o que é mito e o que é verdade nisso tudo, separamos algumas informações que são importantes você saber para dar esse passo além com total convicção.

“Todas as ofertas de cursos à distância são confiáveis”

Mito. Completamente mito. Na verdade, conforme citamos acima, apenas 1.772 cursos estão totalmente regulamentados pela ABED, órgão oficial do Governo, responsável por administrar essa seara. É preciso muita atenção ao confiar seu tempo e dedicação a um curso online, porque assim como tem muita gente boa ensinando coisas importantes para qualquer um de nós, tem muito espertinho vendendo gato por lebre. Já dizia o ditado: prudência e canja de galinha nunca fazem mal.

“Somente instituições renomadas, do ambiente offline, merecem meu respaldo”

Outro mito. As instituições de ensino renomadas, que usam os métodos tradicionais de ensino (aulas presenciais, turmas de alunos, etc.), são, sim, umas das que mais podemos confiar no EAD – mas não são, jamais, as únicas. Existem escolas que já nasceram no ambiente online e atuam apenas nele, que também merecem um voto de confiança (pelo menos aparentemente). Pesquisar muito bem antes de qualquer coisa é o melhor negócio, sempre.

“A oferta de cursos online grátis não é tão grátis assim…”

Verdade! Esse ponto, inclusive, é um dos mais importantes. O que há de oferta de cursos online gratuitos, que exigem pagamento para o envio do certificado ao fim das aulas, não está escrito. Na verdade, todas as escolas de EAD que fornecem conteúdo para ensino gratuito cobram para conceder o certificado ao aluno (se não online, a versão impressa). Sem exceção.

“Devo confiar em escolas que oferecem mais opções, além de cursos livres”

Não gostaria de dizer isso, mas é verdade. Existem muitas iniciativas (não consigo nem chamar de escola ou instituição) de EAD que apenas compilam informações da Internet, empacotam tudo em slides, fazem um anúncio chamativo e dizem estar oferecendo cursos aos alunos, chamando-os de “livres”.

Desconfie desses. Alguém que está, realmente, querendo fazer a diferença na sua carreira, vai te dar a possibilidade de fazer cursos profissionalizantes, técnicos, de graduação e pós-graduação. Pode até cobrar por isso, mas o benefício será maior.

“Se é o certificado o que importa, qualquer curso vale a pena”

Mito. O maior mito de todos, ouso dizer. Também ouso dizer que é esta máxima que faz com que muitas iniciativas de EAD consigam se manter no mercado. A tática é simples: oferece-se um conteúdo superficial e, por isso, fácil e rápido de ser assimilado pelo aluno, e cobra-se para enviar o certificado depois. Pura perda de tempo (e dinheiro).

Esses cursos livres não são reconhecidos pelo MEC, não são profissionalizantes e nem tecnicamente relevantes. Servir como graduação, então, piorou. O mais engraçado é que os próprios sites que apostam nesses cursos livres para viver de EAD admitem isso, naquelas letrinhas miúdas, nos cantinhos das páginas.

Existem hoje, no Brasil, 1.772 cursos regulamentados pela ABED  Foto: Startup Stock Photos

“O certificado, então, é apenas um detalhe…”

Não que seja um “detalhe”, que não tenha seu peso, mas é verdade. E isso é verdade em qualquer contexto, seja online ou offline. O mais importante ao fazer um curso é aprender algo novo e relevante para a trajetória profissional, que irá lhe conferir vantagem competitiva no mercado. Procure fazer cursos que, de fato, irão te dar isso e desapegue-se da sensação de que, quanto mais certificados tiver para apresentar, melhor. Menos é mais: tenha poucos cursos na bagagem, mas que tenham significado no longo prazo.

Afinal, o que as empresas querem de você é a sua dedicação e que demonstre que sabe fazer as coisas, que quer botar a mão na massa e ajudá-las a crescer, se consolidar, enfim. Essas qualificações nenhum certificado irá te dar, mas sim, a força de vontade e a determinação, que não se ensinam em nenhuma sala de aula.

Subir na vida é demorado e trabalhoso, mas para quem luta para isso, acontece. Da mesma forma que aconteceu com você em algum momento, não? O que você fez para chegar onde chegou e o que pretende fazer para ir além? Conte-nos a receita nos comentários!

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